Mais uma vez escrevo e mais uma vez para ti. A maioria das vezes que escrevo é para ti ou sobre ti porque és tu que abalas a minha vida por completo, seja no bom ou no mau sentido. Quando estamos bem, parece que tudo é perfeito e escrevo para ti como se o amor fosse a melhor coisa do mundo. Quando nos afastamos, parece que o amor afinal não é assim tão bom quanto eu tinha noção. Escrevo mais uma vez para ti, na esperança que leias ou... simplesmente escrevo para aliviar a minha alma. Está tanto a acontecer que a minha alma pesa muito mais do que este corpo inútil que carrego todos os dias. Não vou escrever sobre nós, mas escrevo sobre tudo, porque embora não tenha coragem de ir ao teu encontro e dizer-te tudo, preciso de fazê-lo directa ou indirectamente e optei por fazer assim, indirectamente. Pensei que com todas as luzes que te dei e todas as palavras que te disse, te apercebesses que não precisava só de uma palavra, mas sim da tua presença. Não queria um "se precisares estou aqui" mas sim um abraço teu e um conforto, uma esperança de que tudo ficaria bem. Eu sei que não vai ficar. Mas quando se ouve alguém a dizer que sim, torna tudo mais leve, tudo mais fácil de se suportar. Sei que não estou a fazer sentido naquilo que escrevo, nem estou a fazer parágrafos e a pontuação está à toa. Sei que tudo o que está aqui escrito está um tanto um quanto num modo desorganizado e difícil de entender. Sei que no meio de tanto que escrevo não digo nada, mas encontro-me assim interiormente, com um turbilhão de coisas que não fazem sentido. Nem a minha vida parece fazer sentido agora. Mas escrevo, nem que seja à toa, para ver se tudo isto que está dentro de mim a matar-me sai de uma vez e deixa-me mais livre, mais leve, mais feliz. Escrevo para desabafar porque... sinto-me só e não tenho ninguém que venha ao meu encontro ou sequer entenda o que se passa comigo. E quando vêm ter ao meu encontro, a única coisa que me sabem dizer é para ter calma, que vai passar. Não preciso que me digam para ter calma, não preciso que me digam que vai passar. Preciso que me ajudem, preciso de algo mais. Não imaginas o quanto preciso de ti.
Serei eu a pedir demais? Ou serão os outros a minha volta que dão de menos? Quem está errado afinal? Sou eu ou o mundo?
É nestas perguntas todas que chego a entender que o erro sou eu, pois sou uma apenas... contra tantos.
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Catarina. 20

