“Como escrever um desabafo? Desabando. Desabo então e deixo que as coisas desabem sobre mim também. Deixo o pânico vir, deixo-o disparar e desabar meu coração. Eu deixo, porque eu desabafo melhor assim. Assim, eu tiro tudo de mim, eu jogo tudo no chão, eu cuspo o que explode: coração. Desabo aos poucos, a queda é boa, a queda é forte e gigantesca e eu tenho medo de cair, mas caio, caio pra ver se o chão é mais duro do que eu e se a dor é maior que o medo de cair. Quem sabe o chão é mar, a dor é doce, o mar é tranquilo e o doce é azul. Quem sabe? Eu não sei. Mas, mesmo assim, desabo-me.”
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Catarina. 20

