Custa ver que nem tu nem ninguém consegue ver o evidente. Ninguém consegue ver que apesar de tudo, eu não consigo deixar-te, não consigo deixar de sentir aquilo que sinto. Não, admito que não é o mesmo que sentia antes. Não é aquele amor incondicional que fazia com que eu não conseguisse ficar um minuto longe de ti. Não é aquele amor que me fazia suspirar por tudo o que era canto e que me deixava com um sorriso e um brilho nos olhos interminável. Porque esse amor? Tu, eu, nós conseguimos destruí-lo de todas as formas possíveis. Mas não me és indiferente. Ainda há um bichinho dentro de mim que me deixa continuar a querer-te de volta, mesmo sem sentir esse amor. Ainda há um bichinho que me faz sentir ciúmes de tudo. Não devia haver esse bichinho por tudo aquilo que já te disse e já te fiz também. Mas a verdade é que há. E perante isso tudo, o orgulho é demasiado para poder dizer-te directamente que afinal esquecer-te não está a ser tarefa fácil. Prefiro ficar calada e fazer-me de forte, dizer que já não me importo com nada e que já não sinto nada. Existem menos probabilidades de me magoar, sabes? Não me iludo, não me entrego, não crio falsas expectativas. Fica tudo igual, tudo assim e nada mais.
1 comments | Comentar

Catarina. 20

