O que somos? Que coisa estranha somos nós? Não precisamos de palavras que simbolizem compromissos, não precisamos do reconhecimento do público e dispensamos espectadores. Seremos neste momento mais um que dois? Há dúvidas, há muitas dúvidas mas também há tempo. O tempo. É incerto, é inseguro mas existe. Fizeste-me valorizá-lo muito mais, e foi de repente. Acompanhas-te a volta de 180 graus que invadiu a minha vida, e contribuíste também. Lembro-me mesmo bem de me ligares quando já se fazia tarde numa noite muito fria, e tu a falares ás escondidas. Por acaso atendi, por acaso quis saber se valia a pena. Tive curiosidade em ouvir a tua voz, em saber como “eras”, e posso-te garantir que tudo isto era maior que a vergonha que me perseguia a toda a hora. Aposto que já não te lembravas disto, pois é. O pior na vida é quando não consegues fazer com que TODOS os momentos e todas as palavras fiquem dentro de ti, porque há sempre algo que escapa. Talvez tenha começado mal, talvez tenhas achado que sou uma pessoa um pouco distante, talvez não tenha sido uma grande coisa. É como se fosse (uma defesa?), sim, penso que é isso mesmo. Preciso que o que está a minha volta me conquiste antes de mais nada, talvez seja defeito mas normalmente sigo esta regra. Hoje parece que conheces os meus gostos melhor que eu. Traçaste a minha personalidade tão bem… aliás, tudo que tu fazes, fazes bem. O tempo não importa, temos é de o agarrar com unhas e dentes, temos de o preencher ao máximo porque hoje tenho realmente noção de que ele voa. Obrigada por tudo, nunca mas nunca me vou esquecer que passaste pela minha vida.
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Catarina. 20

