Já perdi um pouco da noção do tempo que já não te tenho ao meu lado; Já perdi a noção do tempo que já não me consolas com aqueles teus abraços calorosos; Já perdi a noção do tempo em que esperava impacientemente por chegares a casa nem que fosse para dizer que tinha ganhado mais uma batalha que a vida me tinha proposto;
Sinceramente, ainda não sei bem aquilo que sinto por ti, não sei se é ódio ou amor, não sei se é saudade ou revolta, não sei se é raiva ou orgulho;
Poucos foram os momentos de felicidade que tivemos juntos. Recordo-me apenas de estarmos deitados na cama e vermos a Heidi juntos, de encostar a cabeça ao teu peito e adormecer serenamente, de andar pela rua de mãos dadas contigo e às gargalhadas.
Agora que olho para o passado questiono-me: Onde estás tu pai? Que fizeste de ti? Para onde levaste o meu herói?
Desde estes últimos 4/5 anos que mudaste completamente; Quase que já nem te conheço, as tuas atitudes mudaram completamente, existiu momentos em que era quase como uma obrigação chamar-te de pai.
Fizeste com que tivesse de crescer mais depressa, não por mim mas para tentar proteger a mãe, para aprender a dar-lhe aquilo que tu, enquanto adulto que eras e és, nunca lhe conseguiste dar.
Para mim estes anos voaram e nem consegui tirar o mínimo proveito dos momentos que tive entre mãos, vi tudo a escapar-me por entre os dedos só por um capricho teu. Sei que nós nunca fomos a família perfeita, sei que houve sempre muitos distúrbios, muitos conflitos entre nós, mas conseguíamos sempre encontrar um ponto de equilíbrio até te meteres num mundo que não é aquele em que realmente o que vives. É um mundo ilusório onde tu entraste com as tuas personagens e metes-me de lado. Não foi só a mim, sei disso, mas mais a mim que já ganhei a noção das coisas. Como dizes, estou crescida, estou numa mulher e sim, daqui a uns dias dás por mim a sair disto tudo, não por querer fugir dos problemas mas sim porque quero um futuro melhor para mim, significativamente melhor do que o passado que tu me deste.
Podes até pensar que para mim já não me és nada… secalhar nem mereces a importância que ainda te dou mas foram 15 anos ao teu lado, 15 anos de partilha de uma vida, 15 anos em que chorávamos e sorriamos juntos, 15 anos em que vivemos tudo! Apesar de todo o sofrimento, apesar de todas as angústias, apesar de me teres desiludido, foste tu que fizeste com que viesse ao mundo. E serás sempre tu, o meu pai. Podes não ser o melhor pai do mundo mas és o MEU PAI ! E apesar de tudo sinto a tua falta, dia após dia…
Sinto falta de fazer aqueles duetos contigo, sinto falta dos teus abraços, sinto falta do teu olhar, sinto falta do teu toque, sinto falta dos teus beijos, sinto falta de ouvir a tua voz a gritar por mim, sinto a falta de ouvir a porta a bater fortemente e ouvir os teus estrondosos paços pela casa, sinto a falta de ouvir a tua voz nem que fosse para me ralhares, para me apontares defeitos, nem que fosse para me chamar de BURRA como muitas vezes fazias.
A verdade? Verdade é que amo-te e odeio-te. Essa é a verdade…
Pode ser que um dia voltemos a ser o que éramos mas até lá, continuaremos com esta distância.
Espero conseguir um dia voltar encontrar aquilo que se perdeu em ti.
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Catarina. 20

